O fim do mundo, outra vez

Acossados por mais uma profecia do fim-do-mundo, desta vez de origem azteca, já ninguém sabe o que fazer à vida. Todos os anos, que me lembre, há uma para descartar. Desta vez, com a crise das dívidas soberanas, a crise do Euro e a crise do silicone das mamas em França, o bonus pater familiae deve pensar duas vezes antes de se rir. Embora, bem vistas as coisas, não lhe reste mais nada a fazer.

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Isto está entregue à bicharada

Não sei o que me aflige mais. Se o escândalo sexual da bicha-mor do reyno com um empresário do norte, se o sorriso das vacas do inimputável, embora legítimo, presidente da República. Legítimo, mas nem tanto, quando afirma que “a democracia está a dificultar o investimento em Portugal”.

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Prácabar de vez com a agricultura

“Foi em Setembro”, recordava Vítor Espadinha em 1978. Na verdade tinha sido em Abril e a cultura era o pouco que sobrava da Revolução. 37 depois, já nem isso. A prová-lo está a escolha do judeu-novo Francisco José Viegas para a comissão liquidatária da cultura. Pimba.

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Yes we could

Obama fez 50 anos. Na mesma semana em que metade do Partido Democrata votou contra ele numa lei sem sentido: diminuir a precária segurança social dos mais pobres para não aumentar os impostos aos mais ricos. Num mundo a preto e branco, talvez Obama fosse progressista. No mundo a cores, Obama é apenas mais um preto de risco ao lado.

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Os polícias da baixa

Afinal, a montanha pariu 36 secretários de estado. Mais onze que o orçamentado. Até há um para o empreendedorismo. E, no ministério da agricultura, como a patroa não usa gravata, os ‘ajudantes’ também não podem. Temos um governo modelo. Ou melhor, temos um governo minipreço.

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A república dos anões

Que esperar de um Portugal onde uma chapelada de votos é validada, os futuros magistrados da república nem copiar sabem e o entra-e-sai do futebol disputa o espaço mediático com o governo de salvação nacional?

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A angústia do eleitor desquerda no momento do penalty

O eleitor-vivo poderia ser levado a pensar que, dada a importância destas eleições legislativas, os partidos do centro se deixavam, de uma vez por todas, de jogar para o empate. Nem por isso. Mas uma coisa é certa: este derby vai ser arbitrado pelo Olegário Benquerença da política — o Paulinho das Freiras.

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Os mortos podem voltar

De repente, das profundezas do olvido mediático, antigos zombies da política, da economia e da finança regressaram para nos assombrar com as suas receitas milagrosas contra a crise. Quais virgens recicladas, até parece que não tiveram qualquer responsabilidade nos últimos vinte, trinta e alguns mesmo quarenta anos. Ditosa pátria que tais filhos tem.

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Foi bonita a festa, pá!

© João Abel MantaO que é que Portugal, o Sporting Clube e a Segunda República têm em comum? Muito passado, pouco futuro. E a provar que mesmo o 25 Dabril Nem Sempre, Cavaco estabeleceu mais um marco na sua ‘magistratura de efluência’ — a união nacional sem cravos vermelhos. Excepto o velho Soares que, apesar do FMI e do protocolo cavaquista, se recusou a oficializar o enterro da Revolução e discursou de cravo ao peito.

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O princípe com orelhas

A sorte de umas é sempre a pouca sorte das outras. Para que a primeira dama da república de Portugal pudesse receber a visita da princesa consorte do Reino Unido, a outra perdeu-se nas românticas noites de Paris. Mas se Diana ainda morreu princesa, Camilla não morrerá nunca rainha. Que pena.

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O prepúcio de Deus

Pela mesma altura em que o Vaticano se preparava para elevar mais um santo padre a santo papa, um jovem português resolveu trocar os virtuosos dogmas da eternidade pelas efúlvicas quimeras do efémero. Se Deus não dorme, o Diabo sofre de insónias. E, no que toca à cobrança, um e outro são piores que os Judeus. Eu que o diga.

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Vitórias & morais

Na noite da vitória, Cavaco mostrou ao "português do povo" como se dispara pelas costas. Se foi triste de ver, foi muito mais triste de ouvir discurso tão baixinho, tão coitadinho, tão cobardezinho. Entretanto, o candidato sem marquises de vidro escolheu para encerrar a campanha o Restaurante Questão Moral. Um nome realmente muito apropriado.

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O Portugal dos grandinhos

Análise casuística dos candidatos e das campanhas. Tudo o que vocemecê precisa saber para não votar nas presidenciais. Ou então sim. Nem que seja para mostrar que não suporta presidentes com o rei na barriga.

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No Natal é fatal

Profissão de Fé Ortográfica:
Em 2010 houve mais do mesmo e, sobretudo, muito mais do menos. Como diz o outro, é o que se arranja. E, para começar, arranjou-se um Acordo Ortográfico para unificar a Língua. Como adiante se verá, essa Índia jamais será alcançada. Nem pelos mares, nem pelos ares. Pela minha parte declaro, para os devidos efeitos, que eu continuarei a escrever à antiga portuguesa.
Ora, no Natal é fatal fazer o balanço do ano. E ser solidário. E falar dos pobrezinhos. E regurgitar listas de compras em páginas avençadas. O que deu imenso jeito ao consumidor mais indeciso. Pois que, em clima de fim de festa, o abastado tuguês médio bateu um novo recorde ATM. Em 2011 logo se vê. Ou logo se FMI. Força Camaradas, o Natal é vosso.

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